UM LUGAR SEM GRAFFITI

UM LUGAR SEM GRAFFITI
  
banks englaterra
graffiti os gemeos São paulo
SONHEI EU de olhos abertos e vendo o futuro um PESADELO DE UM PINTOR, QUE CHEGAVA AOS PORTOS DA CIDADE com o o coração cheio de saudades  e caíra em desgraça ao ver que que não via  um muro pintado riscado, só via muros calados, tudo na norma do cinza se achar rei e impedir  até o azul do céu de ser de vários tons. Olhei aquele céu envergonhado com a ausência do arco Íris e desci com medo e receio pois na minha bagagem carregava cores e unhas, arranhões de verdes e vermelhos bordo. Senti o receio da repressão que me mataria por essa culpa, logo depois do primeiro calafrio de cinza o medo me ocorreu e eu me senti um criminoso apenas por pintar, subi por uma das brechas do frontispício e reprimi choro com aquela esquizofrênica  de falta de comunicação de tinta. Senti a falta de palavras nos muros da cidade, senti falta dos sapos e gatos, das mulheres negras pintadas nos muros. Ao chorar aquele lugar seco me vi com sede de beber cor, procurei por uma gota de graffiti e não tinha, garganta seca de rachar tudo, naquele jardim de cal cinza nem uma flor de spray  nasceu, nada pra colher naquele lugar. A boca seca de beber cor me incomodava, tomei um trago de água ardente pura, mas nem pinga da boa era fácil de encontrar, o fungo colorido do graffiti que germinava a todo pano nunca mais pousara naquela parede, não tinha mas graffiti na cidade e só pelo fato de ninguém ter regado a planta ela secou, as borboletas sumiram e nasceu no lugar dela um verdadeiro arco Iris sem a maioria das cores. Um vazio da porra me abateu aquela hora, então sumi como tantos outros  graffiteiros que por ali nem um continuara.
 

Ass julio

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